segunda-feira, 24 de abril de 2017

ZONA DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL: VIVENCIANDO UMA BRINCADEIRA


Ao contrário da teoria de Piaget, que faz subordinar a aprendizagem ao desenvolvimento cognitivo, condicionando-a e enclausurando-a nos limites de cada estádio de desenvolvimento, Vygotsky defende que a aprendizagem precede e condiciona o desenvolvimento cognitivo. E mais: a aprendizagem pode progredir mais rapidamente que o desenvolvimento e, regra geral, redunda em desenvolvimento. No fundo, a ZDP é uma verdadeira janela de oportunidade para a aprendizagem, sendo necessário que o professor a prepare e conceba e ponha em prática tarefas de ensino e aprendizagem que potenciem essa janela.
PAPEL DO PROFESSOR
O professor é o mediador entre a criança e os objetos e entre as crianças e os pares. Ele deve assumir-se como tal. Se o professor propõe tarefas que estão para além da zona de desenvolvimento proximal, é quase certo que a criança não vai entender a tarefa, não vai ser capaz de a realizar ou vai concretizá-a incorretamente. Mediadores são também os pares que se revelam mais capazes. Nesse sentido, a criação de grupos de aprendizagem colaborativa, com crianças em diferentes níveis de aprendizagem, embora próximas na capacidade para a realização das tarefas, constitui outra estratégia de mediação importante. O brincar dará fundamentos para o desenvolvimento cognitivo a partir da internalização dos objetivos postos pelo professor durante uma interação social dos conhecimentos através de “materiais” determinados pela cultura, sendo que o processo se constrói de fora para dentro.
O BRINCAR E A ZONA DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL
O papel do brinquedo, refere-se especificamente à brincadeira de "faz-de-conta”, como brincar de casinha, brincar de escolinha, brincar com um cabo de vassoura como se fosse um cavalo. Faz referência a outros tipos de brinquedo, mas a brincadeira "faz-de-conta" é privilegiada em sua discussão sobre o papel do brinquedo no desenvolvimento. Para o autor, ao reproduzir o comportamento social do adulto em seus jogos, a criança está combinando situações reais com elementos de sua ação fantasiosa. Esta fantasia surge da necessidade da criança, em reproduzir o cotidiano da vida do adulto da qual ela ainda não pode participar ativamente. Porém, essa reprodução necessita de conhecimentos prévios da realidade exterior, quanto mais rica for a experiência humana, maior será o material disponível para as imaginações que irão se materializar durante o brincar. 
OLIVEIRA, M. K. Vygotsky: Aprendizado e Desenvolvimento – Um Processo Histórico, São Paulo: Scipione, 1993. 
VIVENCIANDO UMA BRINCADEIRA - "COELHO SAI DA TOCA"
O professor inicia a atividade identificando o que os alunos conhecem sobre sinal de trânsito, comentando sobre a importância de se respeitar os sinais de trânsito e suas conseqüências para a segurança dos indivíduos. A brincadeira constitui-se em tocas, coelhos e lobo. A toca é formada por dois alunos que de mãos dadas formarão um circulo. Dentro deste circulo terá um aluno que será o coelho. O lobo será um aluno que não possuirá toca, porém tentará conquistar uma toca quando for possível. Num primeiro momento a atividade será realizada com comandos de voz. O professor dará alguns comandos que deverão ser cumpridos pelos alunos. Os comandos são: Coelho sai da toca e Toca sai do coelho. Quando o primeiro comando for dado, os coelhos deverão sair de suas tocas e procurar outra, antes que o lobo entre em uma das tocas. O segundo comando, os alunos que formam as tocas, deverão formar outras tocas com outros companheiros. Nos dois casos, o coelho que ficar sem toca passará a ser o lobo. No segundo momento a brincadeira modifica-se e o professor utilizará cartões com as cores vermelha, amarela e verde. O cartão vermelho não permite que os coelhos saiam de suas tocas. Quando o amarelo for mostrado, os alunos deverão trocar de tocas, mas neste caso o lobo poderá entrar em uma toca, já com o cartão verde, os coelhos possuem passe livre, ou seja, saem de suas tocas livremente e o lobo não pode entrar. Quando algum dos alunos não conseguia compreender o que fazer a partir do estímulo visual (qualquer das cores) os colegas procuravam auxiliar para que houvesse um melhor desenvolvimento da brincadeira, estes também funcionavam como mediadores no processo ensino-aprendizagem. Caso esse auxílio não fosse suficiente o professor explanava novamente a atividade. É interessante ressaltar que os alunos demonstraram gosto pela atividade no seu decorrer e que pediram para que essa brincadeira fosse repetida em outras aulas para que pudessem “brincar mais”. Ao final da atividade os alunos foram dispostos em círculo para que ocorresse o feedback da atividade e neste momento um dos alunos comentou que aquela atividade era dos sinais do “sinaleiro e que ele já sabia que isso tinha a ver com o carro”. Outro comentou que o amarelo era atenção. Foram observados diferentes comentários quando indagados sobre o significado das cores do semáforo, sobre o vermelho perguntaram para que servia e após o professor comentar que era “parar” um dos alunos disse “que se não pára o carro bate e todo mundo morre”. Observamos que apesar da dramatização do menino ele iniciou o entendimento da importância dos sinais de trânsito para o bom convívio social e segurança dos indivíduos, e da mesma forma ele conseguiu utilizar os elementos da brincadeira para relacionar com o cotidiano escolar. 
créditos:http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2006/anaisEvento/docs/CI-259-TC.pdf